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  • 21/03/2017

    Operação Carne Fraca versus Sesa

    Operação Carne Fraca versus Sesa
    De celeiro do Brasil, Paraná se transforma em vergonha nacional

    Desde sexta-feira, a Operação Carne Fraca, da Polícia Federal, teve ampla repercussão em toda a mídia e redes sociais. Também, não é pra menos! A Operação expediu 37 mandados de prisão e na venda ilegal das carnes. E ontem, 20/3, o Ministério da Agricultura exonerou Gil Bueno de Magalhães, que era superintendente federal de Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Paraná. O Estado, rico em frigoríficos, foi pra berlinda e a Justiça Federal determinou o bloqueio de R$ 1 bi das 30 empresas investigadas.

    Essa Operação foi deflagrada para dar fim à vista grossa que os fiscais da Agricultura faziam mediante pagamento de propina. Aí ficava fácil não enxergar produtos adulterados. O que não tem sido falado é como a Vigilância Sanitária não detectou esses problemas.

    Consumo humano - Se temos uma rede de frigoríficos e de empresas que processam carne, essas empresas passam por inspeções da Vigilância em Saúde, que é o pilar de sustentação do SUS. Essa área da saúde pública fiscaliza a adequação do produto ao consumo humano, buscando diminuir os riscos e danos à saúde.

    E será que a Vigilância dos municípios ou da Sesa não chegou nessas empresas que estavam cometendo ilegalidades com produtos alimentícios?

    Pobre Visa – A Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde tem equipes incompletas desde a década de 90. É tempo!

    Até foram feitos alguns poucos concursos públicos. Só que o ingresso dos profissionais da área não foi priorizado. Sem contar que a falta de equipes na rede estadual também ocorre nos municípios.

    As equipes das regionais de saúde já não existem. Se pegarmos duas categorias profissionais como exemplo, veremos como está frágil a fiscalização e as ações da Vigilância Sanitária. Somando os inspetores de saneamento da Sesa, chegaremos ao total de 45 profissionais.

    Nas regionais de Irati, Guarapuava, Foz do Iguaçu, Cianorte e União da Vitória, temos apenas dois inspetores na Regional de Londrina, Curitiba, Cascavel e Maringá. Já em Pato Branco, Campo Mourão e Telêmaco Borba não há mais nenhum inspetor de saneamento.

    Se pegarmos outro profissional que faz parte da equipe da Vigilância, os médicos veterinários. Esses também somam 45 profissionais distribuídos nas vigilâncias das regionais. Vamos aos números: contam com veterinário as regionais de Ponta Grossa, Irati, União da Vitória, Pato Branco, Foz do Iguaçu, Cascavel, Umuarama, Telêmaco, Cornélio e Apucarana. Paranaguá, Guarapuava, Campo Mourão, Jacarezinho e Ivaiporã não têm veterinário da Sesa.

    Curitiba conta com três profissionais da área. E Londrina concentra a maior número: são cinco veterinários. Talvez pela desmonte das equipes é que a Sesa tenha sido pega de surpresa com essa operação. Os dados foram extraídos do portal do servidor do mês de outubro de 2016,

    Esforço - Sabemos que as equipes de vigilância há muito se esforçam para tentar dar conta das tarefas. Mas o desmonte das equipes foi fatal. Quem se aposentou o fez frustrado por ter desenvolvido muito trabalho super importante durante muitos anos e depois essas ações foram colocadas em segundo plano. Fiscalizar empresas de grandes e fortes grupos econômicos gera problemas políticos que não interessam aos governos de plantão.

    O SindSaúde reconhece o esforço feito pelos colegas da Sesa e se orgulha do trabalho desenvolvido. O erro foi das sucessivas gestões que abandonaram esse pilar de sustentação do SUS.?

    Só depois da explosão da notícia é que a Sesa pediu informações à Polícia Federal para então começar a fiscalizar as irregularidades.

    Sabendo desses fatos, cabem alguns questionamentos

    1 – Por que essa Operação parte da Polícia Federal e do Ministério da Agricultura e não da Sesa?
    2 – Por que só hoje a Sesa se espertou para pedir informações?
    3 – Será que todo desmonte das equipes da Vigilância foi determinante pra que a Sesa tenha se omitido diante de tanta irregularidade?
    4 – Só agora que a Sesa diz que vai atuar e que vão mandar amostras ao Lacen?
    5 – Repassar esse imenso trabalho às/aos servidoras/es do Laboratório Central? Que Lacen? Esse que está funcionando precariamente, sem estrutura nem condições físicas e de pessoal.

    O novo prédio que deve abrigar o setor de análise de produtos de consumo humano está em licitação há pelo menos meia década!

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