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09/03/2010

Hospital São Vicente quer lucrar mais com servidores

Uma carta publicada no site do Hospital São Vicente tenta justificar o mau atendimento feito pela instituição no SAS. Dirigida aos servidores e assinada pelo médico Marcial Carlos Ribeiro, diretor do hospital, a carta afirma que o atual repasse financeiro não possibilita o tratamento adequado aos usuários do Sistema e, por isso, o médico chega a propor uma espécie de plano complementar, que seria custeado pelos servidores.

O absurdo é que o Hospital São Vicente já recebe, mensalmente, R$ 2 milhões e 458 mil do governo do Estado para atender aos servidores e dependentes. O número de atendimentos de servidores e o custo desses tratamentos não são divulgados. O estranho é que o diretor reclama que o dinheiro não é suficiente, mas também não aponta quanto é gasto. Talvez o lucro obtido pelo São Vicente esteja abaixo da expectativa inicial ao ganhar a licitação para gerir o SAS e, por isso, esses dados não são revelados.

O SindSaúde repudia essa tentativa de lucrar ainda mais às custas do funcionalismo. Na carta, o diretor afirma que o Hospital São Vicente está fazendo o possível para cumprir as exigências contratuais do SAS. Na verdade, o funcionalismo está sendo mal atendido. Uma servidora do Lacen relatou ao sindicato que, após uma queda, procurou atendimento do SAS. Mesmo com muita dor, o “diagnóstico” do médico de plantão foi de que “é assim mesmo”, e que a dor permaneceria por 30 dias. Outro relato é de que uma servidora aposentada, residente na Lapa, não precisaria de exame preventivo de câncer de colo de útero por ser, nas palavras do médico, “muito idosa”. Esses exemplos mostram que nem mesmo procedimentos simples são realizados. Isso é lucrar com a doença alheia.

Ribeiro também afirma que não existem “relatórios adequados” dos anos em que o atendimento foi feito pelo Hospital Evangélico. Essa é uma realidade constantemente apontada pelo SindSaúde. Se houvesse o controle de dados, especialidades e procedimentos realizado pelo SAS, seria possível avaliar o verdadeiro custo do Sistema. Mas isso não acontece.

O diretor tem, ainda, a audácia de dizer que os servidores estão “idosos e obesos”. Trata as doenças decorrentes da obesidade e da idade sob a ótica do custo de tratamento. Esse é um claro exemplo da visão capitalista, em que o que está em primeiro lugar é a preocupação de lucrar com o tratamento do usuário do SAS, por meio de recursos do governo.

Adoecer no trabalho
Outro ponto da carta é sobre a falta de programas de prevenção em saúde no Estado. É verdade que o governo do Paraná não investe na prevenção e na correção dos ambientes de trabalho, que levam ao adoecimento do servidor. Contudo, para Ribeiro, a falta de prevenção significa mais doentes, mais atendimentos e, consequentemente, a diminuição dos lucros do Hospital. Para o SindSaúde, a prevenção de doenças e a correção dos ambientes de trabalho são direitos do servidor. É por isso que o governo deve aprovar o programa de Saúde do Trabalhador.

No SAS, o atendimento é individual. Já as ações de Saúde do Trabalhador colaboram para a prevenção de doenças, acidentes e outros agravos decorrentes do trabalho. Com uma política de Saúde do Trabalhador, muitas situações que geram doenças poderiam ser evitadas.

Para solicitar mais recursos financeiros – e ter um lucro maior – o diretor compara o SAS ao SUS. Para a direção do SindSaúde, isso chega a ser uma infâmia, já que o SUS é integral e o SAS não cobre procedimentos mais caros. É sempre bom lembrar que, na licitação e no manual dos SAS, fica claro que estão excluídos os atendimentos na área de órteses e próteses, hemodiálise e algumas cirurgias. Também estão excluídos os seguintes procedimentos: realização de check-up, transplantes de órgãos, ressonância nuclear magnética, embolizações em geral – inclusive de anomalias vasculares neurológicas, cirurgias cardíacas e vasculares, e diálise. É certo que o SUS tem problemas, mas o custo é maior por ser de acesso universal e com cobertura para qualquer tipo de tratamento.

O SindSaúde combate qualquer tentativa da iniciativa privada de lucrar com recursos públicos, ainda mais quando o que está em jogo é a saúde de uma pessoa. O sindicato não aceita nenhum tipo de cobrança ao servidor, como propõe o diretor do Hospital São Vicente.

Veja uma comparação entre a saúde no setor privado e no serviço publico:


SindSaúde-PR - Sindicato dos Trabalhadores da Saúde Pública do Estado do Paraná